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ERVAS NA COZINHA: UMA HISTÓRIA QUE DEU CERTO

February 24, 2018

 

Originalmente, este texto foi escrito para um evento realizado no curso de Gastronomia da UFRPE. Já se passaram longos 7 anos, afinal ocorreu em 21 de outubro de 2011. Nessa época, eu começava fazendo uma observação que dizia assim “O título escolhido para este painel ‘Ervas na cozinha: uma história que deu certo’, sugere que, originalmente, as ervas não foram destinadas para o fim culinário”.

 

E continuava meu texto fazendo uma série de questionamentos: O que são ervas? Porque elas são chamadas assim? Será que as ervas não foram destinadas à cozinha? Qual seria então, seu uso? Teriam seguido outro caminho que não o da alimentação?

 

Lá fui consultar uma série de livros sobre o tema. Achei um cujo título “Ervas, temperos e condimentos”, leva a caminhos que se bifurcam. Afinal, temperos estão relacionados com dar sabor, mas agir na saúde de consome e dar temperança nas ações. Achei outro livro chamado “Entre o Jardim e a Horta”. Plantas e ervas que enfeitam, também alimentam o corpo e alma. Ainda um outro, chamado “Ervas, comidas e remédios” dialogou com um livro sagrado para milhões de pessoas no mundo cristão: a Bíblia, notadamente o livro do Gênesis.  Aí, fui em busca dessa última fonte de pesquisa, a fim de saber sobre o que a autora do livro – Rosy Bornhausen – falava.

 

Foi, então, que vi: o primeiro livro bíblico fala das origens do mundo e da humanidade, fala do céu e da terra e de quando foram criados todos os seres vivos. Encontrei uma citação sobre as ervas e vi que, primordialmente, elas entraram pela porta da cozinha mais primitiva, aquela dos primeiros humanos a povoarem a terra. Lá no Gênesis está escrito que Deus (assim nomeado) decretou o surgimento das ervas tão logo separou as águas e fez surgir a terra, conforme vemos a seguir

 

“Deus disse: que a terra verdeje de verduras; ERVAS que dêem semente e árvores frutíferas que dêem sobre a terra segundo sua espécie, frutos contendo sementes. A terra produziu verdura: ERVAS que dão semente segundo sua espécie, árvores que dão frutos segundo sua espécie, frutos contendo sua semente. E Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: terceiro dia”.

 

Só quando foi no sexto dia, foi que Deus criou o homem e disse “Eu vos dou TODAS AS ERVAS QUE DÃO SEMENTES...E ISSO SERÁ VOSSO ALIMENTO”.

 

Depois, muitos tempos depois, o homem ousou comer do fruto da árvore do conhecimento. Ousou saber. Construiu caravelas e ganhou os mares. Conheceu as riquezas naturais de diferentes paraísos terrestres.  Fez comércio.

 

E assim, nossa cozinha foi enriquecendo com as diferentes ervas que vieram do Oriente e entraram na nossa panela:  o cravo, a canela, a noz-moscada, o anis estrelado, a pimenta, o açafrão, o gengibre, a cúrcuma, o cardamomo, a cebola, etc.

 

Os que vieram da mama África, como o gergelim, a pimenta malagueta, pimenta- de- são- Tomé. Temos O COMINHO, que, de tão nosso dia-a-dia, pensamos ser de cá.

 

Vindo do Mediterrâneo tivemos o alho.

Aquilo que ficou conhecido como a Rota das Especiarias que se deu por mar e por terra.

 

 

 

Com isto tudo, podemos ver que a finalidade das ervas foi a de alimentar os seres humanos, dando-lhe sabores. Mas, tentou lhes dar a sabedoria através da preservação da virtude da temperança. Os temperos, dando a medida certa aos humores.

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E, por fim, saindo do plano do divino e chegando às Ciências da Natureza, vemos que outras ervas, aquelas que o ser humano costuma chamar de ervas daninhas são, na verdade, “a Cruz Vermelha do mundo das plantas. Elas cuidam das emergências ecológicas...As ervas vicejam em meio à mudança radical, não na estabilidade.”

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Minha pergunta final, para ficarmos pensando, é esta: Será por isto - vicejarem em meio à mudança radica- que as ervas foram criadas no terceiro dia da mudança do caos para a ordem cósmica?

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 Prof. Rozélia Bezerra

É graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (1988). Mestra em Epidemiologia Experimental Aplicada ás Zoonoses, pela Universidade de São Paulo (1995). Doutora em Educação, com ênfase em História da Educação e Historiografia. Tese sobre a História do Ensino da Higiene na instrução pública de Pernambuco (1875-1930) É professora Adjunta do Departamento de História da Universidade Federal Rural de Pernambuco, ministrando a disciplina História Cultural das doenças: as representações literárias. Professora de História da Alimentação, no curso de Graduação em Gastronomia – UFRPE. Pesquisa sobre História do ensino da Medicina Veterinária. Desenvolve pesquisa na área da História das Ciências e História das Doenças e dos Doentes no Brasil (séc. XVI-XX). Pesquisadora do Grupo de História Social e Cultural da UFRPE (GEHISC). A professora Rozélia escreve todas os sábados no nosso blog.

 

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