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DE “VARAS DE OURO” AO VARADOURO: O QUE HÁ POR TRÁS DE UM NOME?

February 2, 2018

 

 

Um texto é um espelho. Alguém que o lê e recebe a mensagem, poderá se manifestar de diferentes formas. A semana passada, falei sobre a Febre Amarela em Pernambuco do século 17 e prometi a um leitor que faria uma explanação a partir de Olinda. E por que faria isso? Porque, no século XVI, quando ocorreu a epidemia de Febre Amarela em Pernambuco, algumas pessoas daquela época levantaram a possibilidade de a doença ser originária das águas de Olinda. Notadamente as águas represadas. Esta vila pródiga de águas jorrando de suas fontes naturais, que acabaram transformadas nas Bicas: Bica do Rosário (1537) Bica de São Pedro (1542), cujo nome inicial era tão português “Fontainha” e a Bica dos Quatro Cantos (1602) primeiramente chamada de Bica da Tabatinga. Mas, o risco não vinha dessas águas subterrâneas. Afinal, a Marim dos Caetés também era banhada pelo Oceano Atlântico e lambida pelo Rio Beberibe, onde se encontrava o Varadouro das naus. Para umas pessoas, “Varadouro é decorrente do fato que os finos tecidos europeus eram pendurados em varas de madeira com pedaços de ouro nas pontas”. De Varas de Ouro, passaram a Varadouro. Sendo isso verdadeiro ou lenda, o fato é que no Varadouro das Naus representou o local onde se deu a construção do primeiro cais de atracação em Pernambuco, onde acostavam as antigas naus que na época Colonial, penetravam pelo rio Beberibe para colher o açúcar depositado nos armazéns situados no varadouro. Assim, “varadouro” nada mais é do que um lugar seco à borda do rio ou mar, onde se recolhem navios e embarcações pequenas. (Figura 1).

 

Lá, muito tempo depois da expulsão dos holandeses, no ano de 1684, teve início a construção da represa para juntar a água do Rio Beberibe, cuja função primeira era impedir que a água doce do rio Beberibe entrasse em contato com a água do mar. A coleção de água que se formou servia para abastecer os habitantes de Olinda e do Recife, além de favorecer a criação de peixes e crustáceos. Além disso, pelas suas 18 bocas que despejavam água por fora do muro, a população olindense abastecia-se de água. Estas bicas, sui generis, foram registradas no século 17, em uma carta que está arquivada no Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa. Nela é possível identificar o Convento dos Frades do Desterro Religioso de Santa Thereza, localizado à esquerda da figura (A) e a Ponde do Varadouro, onde tais bicas davam vasão à água de beber sobre a salgada. Prestar atenção ao círculo vermelho, na figura 2 a seguir.

 

 

 

Em 1729, um pintor anônimo, entregava a obra intitulada “Quadro da Peste”, no qual, entre outras coisas, registrou Olinda quando, ainda, era possível ver essas bicas da discórdia entre olindenses e recifenses. (Figura 3).

 

 

Afinal, em 1856 a barragem da discórdia foi demolida. Então, estava em plena ascensão a Revolução Industrial Inglesa e o ferro era a grande vedete das construções. Desse modo, o velho paredão secular ao ser demolido foi substituído por uma ponte de ferro, construída pela Fundição Aurora. Nessa época, os médicos recém-formados na França, haviam voltado para o Recife e ditavam as regras higiênicas para uma cidade limpa. Era a vitória de Higeia, a deusa da Higiene. E junto com essa divindade e com a Utopia da Civilização começariam outros problemas muito maiores.

 

Assim, é possível pensarmos O QUE HÁ POR TRÁS DE UM NOME?

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 Prof. Rozelia Bezerra

É graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (1988). Mestra em Epidemiologia Experimental Aplicada ás Zoonoses, pela Universidade de São Paulo (1995). Doutora em Educação, com ênfase em História da Educação e Historiografia. Tese sobre a História do Ensino da Higiene na instrução pública de Pernambuco (1875-1930) É professora Adjunta do Departamento de História da Universidade Federal Rural de Pernambuco, ministrando a disciplina História Cultural das doenças: as representações literárias. Professora de História da Alimentação, no curso de Graduação em Gastronomia – UFRPE. Pesquisa sobre História do ensino da Medicina Veterinária. Desenvolve pesquisa na área da História das Ciências e História das Doenças e dos Doentes no Brasil (séc. XVI-XX). Pesquisadora do Grupo de História Social e Cultural da UFRPE (GEHISC). A professora Rozélia escreve todas os sábados no nosso blog.

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