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Nelcy da Silva Campos a história do homem que salvou o Recife

September 21, 2017

Recife, 12 de Maio de 1985. O Terror se estampa nas faces das autoridades. A explosão de um navio carregado de butano destruiria tudo no raio de 5 Km. Impossível executar um plano de evacuação, a cidade está dormindo. Apenas uma solução é possível, uma missão suicida: Rebocar o navio em chamas para longe do porto o mais rápido possível. No alto de seu altruísmo, um homem reúne sua equipe, lançando-se ao mar, eternizando-se nas vida dos Pernambucanos. Seu nome Nelcy da Silva Campos, prático do porto do Recife, e herói da cidade. O Sr Leonardo Paiva era bombeiro na época e acompanhou o desenrolar dos acontecimentos. Publicamos aqui o seu relato dando conta do heroísmo dos bombeiros da cidade.

 

 

O passo a passo de como foi realmente esta história: No dia 12 de maio de 1985, por volta de 1:30h da madrugada, a central do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar de Pernambuco (1° GI), na Av. João de Barros recebe a notificação de uma explosão e incêndio, no Porto do Recife.

 

Estavam de serviço neste dia, comandando a prontidão de fogo e salvamento, o 1° Tenente BM José Carlos Arruda e o Aspirante BM Leonardo de Paiva e contavam com duas guarnições de salvamento e duas de incêndio , além de um reforço de uma viatura extra, o Auto Tanque, com 12 mil litros de água, perfazendo um total de 18 mil litros de água.

 

 

Ao sairmos para o combate a este incêndio, só recebemos a informação de que se tratava de uma explosão no armazém A1, do porto do Recife, seguida de incêndio em um petroleiro, a menos de 200 metros do terminal de combustível do Brum.

 

Os hidrantes não funcionavam na área e os 18 mil litros de água disponíveis esgotariam nos primeiros minutos de combate ao incêndio.

 

Lembro-me de me despedir, mentalmente, da vida e sentir um calafrio na espinha quando chegamos ao terminal do porto e nos deparamos com a situação Dantesca.

 

Logo ao chegarmos tivemos a informação da existência de uma vítima com vida, presa no interior do navio, como num passe de mágica as tensões e medos foram controlados e todos do trem de fogo e salvamento se colocaram em forma aguardando as ordens do 1° Ten BM Arruda.

 

A guarnição do 1° Grupamento de Incêndio iniciou o estabelecimento das mangueiras e a primeira guarnição de salvamento do GBS, estabeleceu uma via de corda, para acessar o navio em chamas. O Cb BM CMT da guarnição do GBS iniciou um comando crawl, sem nenhum equipamento de segurança, adentrando no petroleiro em chamas, com a intenção de iniciar o salvamento do tripulante preso no fogo.

 

Neste momento de tensão tivemos a prestimosa ajuda de uma guarnição da radio patrulha da PMPE, comandada pelo Aspirante Ferraz Gominho, que foi quem nos auxiliou no controle de um dos tripulantes que queria entrar no navio, no intuito de salvar o seu irmão, que ali estava preso nas chamas. Tive de manter um rápido combate corpo a corpo, com este tripulante, que estava alcoolizado, descontrolado e desejava entrar no navio, a todo custo. Com certa dificuldade, pelo grau de descontrole do tripulante, e seu tamanho e força física, o controlamos e o imobilizamos. A guarnição da PM fez o apoio na contenção e remoção do mesmo da cena o incêndio.

 

Como de costume do Corpo de Bombeiros, na época, logo que o rádio e TV informaram sobre o incêndio de grandes proporções, oficiais que estavam de folga , saíram, voluntariamente, de seus lares e foram dar apoio às equipes de serviço.

 

Chegaram ao local do sinistro o 1° Tenente Neyff, o 2° Tenente Marcos Antônio e posteriormente , o Comandante do Corpo de Bombeiros , Cel PM Assis e o Major BM Josiberto, que estabeleceram uma central de comando por trás do armazém A do Porto.

 

Com auxilio de uma bomba móvel do porto, coletando água do mar, combatemos o incêndio, por cerca de 4 horas, resfriando os tanques de GLP, evitando uma explosão no terminal petrolífero do Brum.

 

 

 

Depois de 4 horas de combate, o fogo estava restrito a um dos tanques de GLP, e comandante do navio, a uma distância segura, através de rádio, recomendou que saíssemos de cima do convés, pois aquilo era uma bomba relógio , prestes a explodir. Neste interim a PM já havia feito um perímetro de evacuação de 4km, afastando a população da área.

 

O governado do estado, Roberto Magalhães, com sua família, já havia sido removido do palácio das Princesas, e nós continuávamos no convés do navio controlando o fogo, com duas linhas de mangueiras, uma comanda pelo Ten BM Neyff e o 2° Tenente BM Marcos Antônio e outra por mim, com o apoio do SD BM Silva Filho.

 

Por volta das 5 da manhã recebemos a ordem do Tenente BM Arruda de evacuar o navio, pois segundo o comandante do navio, estaria na iminência de explodir, mesmo assim , nestas condições extremas , tivemos de ir até amarras de sustentação do navio, eu , o 1°Ten BM Neyff e o prático do porto do recife Sr. Nelcy da Silva Campos, com a missão de cortar as amarras para que o o navio pudesse ser afastado do porto do Recife e assim fizemos, usando as famosas facas de resgate do GBS. Eu e o 1° Ten BM Neyff, acessorados pelo prático Nelcy, cortamos os cabos e preparamos o navio para ser rebocado. Foi quando o navio Jatobá pode ser removido do terminal do Brum, afastando-se para fora da barra, evitando assim a iminente destruição do Bairro de Santo Antônio, do Recife antigo.

 

Mais uma história do Corpo de Bombeiros, que nunca foi contada à população recifence, como ela realmente foi, mas que está presente na memória de quem viveu a situação e sentiu o calor das chamas e a tensão dos resgates, por 4 horas, dentro do navio a menos de 10 metros do foco do incêndio.

 

 

Fotos do incêndio, com pequenos relatos das situações vividas pelos bombeiros podem ser visto na página do Leonardo Paiva no face

 

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