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MULHERES NO CANGAÇO (I): MARIA, NÃO NASCEU “BONITA”. NASCEU “MARIA DÉA”.

August 5, 2017

 

A literatura vai muito além do entretenimento. Ela, também, é fonte para a História. Pois, foi lendo Rachel de Queiroz que aprendi sobre as MULHERES NO CANGAÇO [1].  E foi lendo Câmara Cascudo[2] que juntei a história de Lampião, invadindo Mossoró/RN, no dia 13 de junho de 1927, com o ofício de Maria Déa, a futura Maria Bonita. Vamos lá, ver como isso tudo se mistura.

 

 

A peça de teatro chamada Lampião foi escrita por Rachel de Queiroz em 1953, mas a edição que li é de 2015. A intenção da autora foi contar a história de vida da companheira de Lampião, durante os anos de cangaço. Pois, Rachel começou mostrando que Maria, não nasceu “Bonita”. Nasceu Maria Déa de Souza. Casada com um sapateiro, teve dois filhos e, ao que parece, levava uma vida considerada, por ela, Maria, muito monótona. Nada lhe acontecia de interessante e, por cima de tudo, o marido era um pacatíssimo cidadão. Conta-se que era muito bonita. Além de uma rendeira muito caprichosa em seu trabalho. Mas, Maria Déa, sentia falta de aventuras. Queria um homem arrebatador e não aquele pacato cidadão e pai de família que, fatalistamente, aceitara o destino de nascer, viver e morrer em paz e na pobreza extrema do seco Sertão.  Desse modo, Maria Déa, certa vez, encontrou-se com o moleque de recado de Lampião e lhe pediu que dissesse o seguinte ao capitão Virgulino Lampião: “Menino, diga lá ao seu capitão que, se ele quiser vir me buscar, eu sigo no bando e ganho o mundo com eles. Me chamo Maria Déa e sou mulher do sapateiro”. (QUEIROZ, 2015, p.20).

 

 

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Passados alguns dias, Lampião e seu bando chegou ao vilarejo situado à margem do Rio São Francisco e, depois de passar pelo arruado, se dirigiu à casa do sapateiro. Depois de um momento de discussão e tensões Lampião anuncia “pois está aqui Lampião. Vim buscar a senhora” (p.23). Bem que o marido tentou impedir, mas foi calado por Lampião que anunciou “faça-se a vontade dela”. Depois disso, Maria Déa foi presenteada com um vestido de noiva[1], roubado pelo bando. Lampião, arranca a aliança de casamento do dedo de Maria Déa e a substitui por um anel de pedra grande que, antes, estivera em seu próprio anular. Logo em seguida, todo o bando vai embora, levando, consigo, a Maria que não era mais Déa e sim a “Maria Bonita”.

 

 

E foi Câmara Cascudo que trouxe à tona a habilidade de rendeira de Maria Bonita. Conta ele (2009, p.60) que Lampião e seu bando, quando invadiu Mossoró, no dia 13 de junho de 1927, surgiu, “no Alto da Conceição, cantando Mulher Rendeira. Nunca mais Moçoró (mantive a grafia original), esquecerá aquele tremendo”. Cascudo escrevia isso em 1934.

 

Assim, Maria, primeiro foi Deá, a mulher rendeira e depois a Maria Bonita e a mulher-hino do bando.

 

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[1] QUEIROZ, Rachel. Lampião. A Beata Maria do Egito. Rio de Janeiro: José Olympio, 2015.

[1] CASCUDO, Câmara. Viajando o Sertão. São Paulo: Global, 2009.  (Virgulino Lampião, p. 59-61)

[1] Este episódio envolve uma brutal violência contra a mulher que seria a dona do vestido e não o foi. Isto é uma coisa que precisa ser estudada, bem a fundo, no movimento do cangaço: a violência contra as mulheres cometida pelo bando de Lampião.

 

 

 Prof. Rozelia Bezerra
É graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (1988). Mestra em Epidemiologia Experimental Aplicada ás Zoonoses, pela Universidade de São Paulo (1995). Doutora em Educação, com ênfase em História da Educação e Historiografia. Tese sobre a História do Ensino da Higiene na instrução pública de Pernambuco (1875-1930) É professora Adjunta do Departamento de História da Universidade Federal Rural de Pernambuco, ministrando a disciplina História Cultural das doenças: as representações literárias. Professora de História da Alimentação, no curso de Graduação em Gastronomia – UFRPE. Pesquisa sobre História do ensino da Medicina Veterinária. Desenvolve pesquisa na área da História das Ciências e História das Doenças e dos Doentes no Brasil (séc. XVI-XX). Pesquisadora do Grupo de História Social e Cultural da UFRPE (GEHISC). A professora Rozélia escreve todas os sábados no nosso blog. 

 

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