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O SERTÃO. SER TÃO?...O SERTÃO “É UMA FESTA”.

Área rural do município de Arcoverde, Sertão Pernambucano. Foto Laysa Lima. Junho 2017

 

O que é o sertão? Pero Vaz de Caminha, em 1500, disse ao Rei de Portugal que o “Brasil era um sertão ermo e vasto e, do mar, parece ser muito grande”. Em 1816, um inglês (Henry Koster) viajou pelo Nordeste do Brasil e pensou o Sertão como o interior do país, mas também a região da costa onde houvesse pouca gente morando.

 

Só quando eu fiz minhas primeiras viagens pela Caatinga nordestina (2000), compreendi que o Sertão é um sentimento. ´´É Ser tão”...compreendi que o Sertão está no sentimento das pessoas, portanto não se restringe a um lugar. Compreendi porque “Caatinga”, é a palavra indígena para a “Mata Clara”.

 

Vi que o Sertão é tão grande que cabe numa janela.

 (Foto 1- Piranhas/AL, 2000. Arquivo pessoal Prof Rozélia Bezerra).

 

 

Por sua vez, Ser tão é compreender que, quando o mandacaru “fulora na seca, é sinal que a chuva chega no Sertão”.

(Imagem 2 – Foto de Piranhas/AL, 2003. Arquivo pessoal Prof Rozélia Bezerra).

 

Sertão também é a espreita da morte pela fome

(Foto 3- Ilha do Ferro – AL, 2002. Arquivo pessoal Prof. Rozélia Bezerra)

 

O Sertão é daqueles que acreditaram e morreram pela crença

(Foto 4 – Vale de Canudos/BA, 2003. Arquivo pessoal Prof. Rozélia Bezerra)

 

Por isso o Sertão é forte. Tão forte ao ponto de Euclides da Cunha reconhecer seu equívoco e proclamar “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”.

 

Sertão é a Festa da mesa. Farta mesa. Com toda sua culinária. Tão rica que posso usar quase todas as letras para ensinar o caboclo ler. Posso ir da letra A, de angu, ao X, de xerém. Posso usar o B, de buchada, o C, da coalhada e da carne de sol; o D, do doce de caju; o E, do ensopado de cabrito, do espinhaço de carneiro torrado; o F, da farofa de bolão, da farofa de carne do sol assada;  o G da galinha a cabidela, da galinha torrada;  o J, do jerimum ao leite de coco; o L, do leite de vaca tirado na hora; o M, da malassada (que meu pai amava e sabia fazer), ou da manteiga de garrafa; do milho cozido, milho assado; o N, do nambu assado;  o O do ovo de galinha de capoeira; o P, do pirão de corredor, da pamonha, do puxa-puxa; o Q, do quibebe, da quiabada, do queijo coalho, do queijo de manteiga (ambos que minha mãe sabia fazer); o R, do requeijão (que Mário de Andrade disse ser o queijo mais saboroso que já comeu); o S, do sarapatel de bode, do sequilho de goma; o T, da tapioca (não essas tapiocas gourmet que a cidade inventou); o U, da umbuzada; o V, da vinagreira, do vinho do caju, da cachaça Volúpia; o X do xerém com galinha. E o Z? Fica por conta de quem leu esta crônica...

 

 

 

 

Prof. Rozélia Bezerra

É graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (1988). Mestra em Epidemiologia Experimental Aplicada ás Zoonoses, pela Universidade de São Paulo (1995). Doutora em Educação, com ênfase em História da Educação e Historiografia. Tese sobre a História do Ensino da Higiene na instrução pública de Pernambuco (1875-1930) É professora Adjunta do Departamento de História da Universidade Federal Rural de Pernambuco, ministrando a disciplina História Cultural das doenças: as representações literárias. Professora de História da Alimentação, no curso de Graduação em Gastronomia – UFRPE. Pesquisa sobre História do ensino da Medicina Veterinária. Desenvolve pesquisa na área da História das Ciências e História das Doenças e dos Doentes no Brasil (séc. XVI-XX). Pesquisadora do Grupo de História Social e Cultural da UFRPE (GEHISC). A professora Rozélia escreve todas os sábados no nosso blog.

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