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SÃO JOÃO, O DO CORDEIRO DE DEUS, O DO CARNEIRINHO.

June 24, 2017

 

Eis o Mistério da fé e da festa de São João. Contam os livros antigos (Legenda Áurea – Vida dos Santos, 1231 e Cuidados da Morte e Descuidos da Vida, de 1767) que Maria Santíssima foi avisada pelo Anjo Gabriel, sobre a gravidez de Isabel, sua prima legítima por parte de mãe. Maria ficou muito contente, porque todos sabiam da esterilidade e da idade avançada da prima e do esposo dela, Zacarias, o que a impedia de engravidar (afinal, não tinha essas tecnologias de hoje em dia). Este fato fez que com Isabel sentisse vergonha de conceber em idade avançada e não saísse de casa. Maria, a Santíssima, recebeu a ordem de ir visita-la e se colocar à disposição para ajudá-la no que fosse preciso. Mas, tinha um detalhe muito importante: Maria já se encontrava grávida de Jesus, o Salvador. Desse modo, precisava convencer seu esposo José, o Carpinteiro, a empreender tão longa viagem. Sabendo ser um desígnio divino, ambos foram ver Isabel e Zacarias.

 

 

Foi no encontro das duas mulheres que se deu o milagre da fé. Logo que Maria saudou Isabel, “o bem-aventurado João, pleno do Espírito Santo, sentiu o filho de Deus vir até ele e estremeceu saudando Aquele a quem não podia saudar com palavras”. Desde o ventre da mãe João ficou sabendo de seu apostolado. Por isto o João, o do Cordeiro de Deus, o do Carneirinho.  Maria acabou por atender aos rogos de Isabel e ficou durante os três últimos meses da gestação dela. Segundo conta o Legenda Áurea (1231, 2013, p.486) “foi a bem-aventurada virgem que, com suas mãos recebeu o menino que vinha ao mundo e com empenho cuidou da criança”. Era o dia 24 de junho. E assim, parece que o mito das fogueiras, anunciando o nascimento de João, se esvanece. Pelo contrário. Havia fogueiras, sim, só que elas faziam parte da crença pagã daquele período. As pessoas acreditavam em dragões voadores que estragavam as colheitas, poluíam as águas, traziam as pestes e a mortandade entre animais, homens, mulheres e crianças. Assim, juntavam os ossos de animais mortos e os queimavam, em fogueiras, porque a fumaça produzida espantava os bichos voadores. As fogueiras também eram usadas para saudar os deuses responsáveis pela proteção das sementes e grãos. E, em sendo o solstício de verão no hemisfério norte, as noites entre 21 e 24 de junho eram veneradas por serem longos dias de festas de começarem as colheitas. Era necessário saudar as divindades protetoras. Acendam-se as fogueiras. Coma-se, beba-se. Dancem. Este sincretismo religioso foi sendo incorporado gradativamente pela fé católica. Chegou ao Brasil com a colonização portuguesa. Os cronistas do século 16 narram as festas juninas em Pernambuco, já nesse período. Era o mês de junho, mês da colheita do milho, que já era um cultivo indígena. Da mesa indígena chegou à mesa do colonizador.

 

Um dia, depois de adulto, João anunciou “Aquele que há de vir depois de mim é maior do que eu” (Mateus 3, 11). Desse modo, João proclamava aquele que seria o “Cordeiro de Deus”. Daí o João com um carneiro no colo (Imagem 1). Desse modo, longa vida a São João, o do Cordeiro de Deus, o do Carneirinho. João Batista que, um dia, foi imolado feito um carneiro (imagem 2).

 

 

 

 Prof. Rozélia Bezerra

É graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (1988). Mestra em Epidemiologia Experimental Aplicada ás Zoonoses, pela Universidade de São Paulo (1995). Doutora em Educação, com ênfase em História da Educação e Historiografia. Tese sobre a História do Ensino da Higiene na instrução pública de Pernambuco (1875-1930) É professora Adjunta do Departamento de História da Universidade Federal Rural de Pernambuco, ministrando a disciplina História Cultural das doenças: as representações literárias. Professora de História da Alimentação, no curso de Graduação em Gastronomia – UFRPE. Pesquisa sobre História do ensino da Medicina Veterinária. Desenvolve pesquisa na área da História das Ciências e História das Doenças e dos Doentes no Brasil (séc. XVI-XX). Pesquisadora do Grupo de História Social e Cultural da UFRPE (GEHISC). A professora Rozélia escreve todas os sábados no nosso blog.

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