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“O PÃO NOSSO DE CADA DIA”

June 17, 2017

 

Algumas pessoas o consideram alimento para a alma. Algumas outras, para enganar a fome. Outras não o comem para não engordar. Outras, não o comem porque não o têm. Para algumas é “o pão que o diabo amassou”. Ele é o “Pão Nosso de Cada dia”. Alimento criado há mais de 6 mil anos, no Antigo Egito. Dádiva do Nilo (Fig.1) transformada em alimento que se tornou conhecido pelos romanos a partir de suas invasões bárbaras em outros territórios. Foi a partir de então que viram: o trigo dava coisa mais gostosa do que esse mingau horroroso que faziam.  Desde então se tornaram os melhores padeiros. A arte foi apropriada pelas mulheres. Depois se tornou profissão: padeiro. Com os egípcios aprenderam a construir fornos para assar os pães (Fig.2).

 

  Os pães tinham diferentes formatos e sabores, inclusive doce. E, como não poderia deixar de ser, criaram uma festa para homenagear Fórnax, a deusa do forno. Escolheram o dia 9 de junho, dia que antecedia o início do solstício de verão, para instituir a “Fornacália”. Acendiam-se as fogueiras e assavam-se as espigas diretamente nesse fogo. A “fornicação” nada mais era do que “assar o pão nos fornos”.  Como os fornos eram lugares usados para a população se aquecer, para lá, também, iam as meretrizes, ganharem seu pão. E só ganhavam se o merecessem, se fornicassem. A merenda tinha seu preço: vontade, necessidade, força.  O termo logo foi apropriado e virou sinônimo de coisa pecaminosa.  

 

Este mesmo alimento se tornou sagrado para os cristãos, que, secretamente professavam sua crença. Era distribuído entre seus seguidores, como liturgia. Virou política do Império Romano: “panem et circenses”. O pão e o circo no qual eram mortos, além dos cristãos, quaisquer pessoas que ousassem pensar diferente do Imperador e seus apoiadores (Fig.3).

 

Os romanos dos séculos II ou III depois de Cristo, instituíram regras muito rígidas para a fabricação do pão. Os padeiros deveriam usar equipamentos de proteção individual para evitar que a massa, ao ser sovada, fosse alterada por gotas de suor de seu corpo. Caso isto acontecesse, acreditava-se, o pão ficaria azedo. Quando descobri esta história entendi porque, milhares de anos depois, meu pai não comprava o pão fabricado por “Seu Mané Cabral”, um padeiro da minha pequena Gravatá de Jaburu, vila do interior de Pernambuco. A lenda que circulava, localmente, era que “Seu Mané” sovava a massa batendo-a em suas costas suadas pelo esforço físico. Vai lá saber, né?!!

 

Assim, é que, sempre, comíamos o pão feito na padaria de “Dona Zifa”. Toda tarde tinha a “moca” feita por meu pai, “Seu Mocinho”. O café torrado. Moído. Coado no bule de ágata. A boa e deliciosa “moca”.  No cardápio: manteiga, pão francês, crioulo e “brote” (este que, no Recife, virou “bolachão”).  Assim foi, assim será: “O Pão nosso de cada dia”.

 

Recife, bairro da Casa Forte, 17 de junho de 2017.

 

 

 

 

Prof. Rozélia Bezerra

É graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (1988). Mestra em Epidemiologia Experimental Aplicada ás Zoonoses, pela Universidade de São Paulo (1995). Doutora em Educação, com ênfase em História da Educação e Historiografia. Tese sobre a História do Ensino da Higiene na instrução pública de Pernambuco (1875-1930) É professora Adjunta do Departamento de História da Universidade Federal Rural de Pernambuco, ministrando a disciplina História Cultural das doenças: as representações literárias. Professora de História da Alimentação, no curso de Graduação em Gastronomia – UFRPE. Pesquisa sobre História do ensino da Medicina Veterinária. Desenvolve pesquisa na área da História das Ciências e História das Doenças e dos Doentes no Brasil (séc. XVI-XX). Pesquisadora do Grupo de História Social e Cultural da UFRPE (GEHISC). A professora Rozélia escreve todas os sábados no nosso blog.

 

 

 

 

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