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A luta pela autonomia em Pernambuco e a Guerra dos Mascates

March 12, 2017

 

100 anos antes da Revolução que deu a primeira república ao Brasil em 1817, um conflito entre 'Brasileiros' e Portugueses levou a uma guerra entre as cidades de Olinda e do Recife.

 

Os custos do conflito para expulsar os holandeses do nordeste Brasileiro ainda eram sentidos pelos engenhos do nordeste quando a concorrência do açúcar das Antilhas fez despencar o preço do produto no mercado internacional. A crise agudizou as tensões já existentes entre os ‘brasileiros’ e os comerciantes portugueses no porto do Recife. Com a sede da província localizada em Olinda, e com o senado local formado por brasileiros a província de Pernambuco, a mais prospera do império Português, teria relativa autonomia. Essa autonomia era fruto da vitoriosa resistência Pernambucana, que há 50 anos, havia expulsado os invasores holandeses sem receber ajuda da coroa. Essa autonomia é no entanto diuturnamente minada por um sistema criado para concentrar a riqueza do açúcar nos comerciantes portugueses do porto e endividar a elite local. Com a crise do açúcar e o endividamento dos engenhos, os portugueses veem a oportunidade de diminuir a autonomia de Pernambuco. A elevação do Recife a condição de Vila, com instalação de um pelourinho, desencadeia uma reação violenta dos nascidos nesta terra, um conflito conhecido com Guerra dos Mascates.

 

No início do século XVIII as tensões entre Brasileiros e Portugueses em Pernambuco são enormes. Enquanto aos nascidos na terra estava reservado a empresa da cana de açúcar, os portugueses tinham o monopólio do comércio de todos os demais produtos e somente eles podiam importar e exportar no porto do Recife. Uma arroba de açúcar, por exemplo, para ser comercializada deveria ser vendida a um comerciante português por 400 réis, por sua vez o comerciante embarcava a mesma carga para o reino a 1.400 réis. Como qualquer outro produto como armas, alimentos e utensílios só poderiam ser adquiridos por intermédio destes mesmos comerciantes, o resultado era a concentração de toda a riqueza produzida em Pernambuco em mãos lusas. Não satisfeitos, os portugueses subornavam sucessivamente o governador para ocuparem os cargos públicos mais rentáveis, cujo privilégio, segundo as leis vigentes, seriam exclusivos aos Pernambucanos.

 

A crise do mercado açúcar aumenta a decadência em Olinda e o endividamento dos engenhos. No dia 4 de março de 1710 seguindo ordens da coroa o governador autoriza a elevação do Recife a categoria de Vila e manda construir um pelourinho onde hoje está localizado o marco zero do Recife. A resposta da elite Pernambucana foi rápida e violenta.

 

O primeiro ato de propaganda política do movimento que se inicia 1710 contra os portugueses foi a derrubada do pelourinho do Recife. Recém-erguido o monumento de pedra era o símbolo da autonomia das vilas portuguesas. Ele é posto abaixo por um grupo de homens advindos de Olinda. Eles usam fantasiados de índios, para ressaltar que eram americanos e não europeus.

 

 

 

A revolta explode mesmo em outubro com um atentado a bala contra o governador português Sebastião de Castro. O governador foge para a Bahia e em seguida o Recife é ocupado por forças Olindenses. No dia 10 de novembro, Bernardo Vieira de Melo e outros lideres defendem no senado de Olinda o rompimento com Portugal e o estabelecimento de um república em Pernambuco aos moldes de Veneza. Mas a proposta soa radical e o senado opta por procurar um novo entendimento com a coroa. Um ano depois um novo governador é designado para Pernambuco. Felix Machado supostamente traria o perdão real, mas poucos meses após se instalar no poder decreta a prisão e o sequestro dos bens de dezenas de nobres Pernambucanos, inclusive os de Bernardo Vieira de Melo, acusado pelo crime de Lesa-majestade. Com a intervenção da coroa em favor dos Portugueses o Recife ganha não somente a autonomia, torna-se também capital da província de Pernambuco.

 

Leia mais:

O primeiro grito de república nas Américas foi dado em Olinda

 

Cem anos após ser debelada a primeira insurreição de Brasileiros contra o domínio português o Recife se insurge liderando toda a província de Pernambuco para decretar a independência de parte do Nordeste Brasileiro e dar ao Brasil a sua primeira república em 1817.

 

 

 

 

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