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"Tapacurá estourou": 40 anos do boato que provocou caos no Recife

January 14, 2017

 

Há quarenta anos, moradores do Recife entraram em pánico com o rumor de que a barragem de Tapacurá, localizada em São Lourenço da Mate, teria rompido e inundaria a cidade do Recife. Caso virou livro. A cena é digna de filmes de catástrofes. Pessoas correm desesperadas pelas ruas. Abandonam carros e ônibus, debatem-se. Gritam por um socorro, mas não sabem para quem. Enfermos são empurrados com soros pendurados na cadeira de rodas. Há quem busque prédios mais altos. Há quem pegue malas, dessa pelas escadas e corra sem destino. Uns pelas avenidas, outros pelas ruas menores. Este é o cenário a partir das 10h da manhã do dia 21 de julho de 1975 no Recife. Um boato se espalhou pelo centro da cidade: de que a barragem de Tapacurá havia estourado. Em minutos, segundo o que se imaginava a época, uma onda gigante acabaria com o Recife, a "Veneza Brasileira".  Há notícia que três pessoas morreram vítimas de infarto por causa do pânico. À cidade respirava o caos a luz do dia.

 

 Grandes cheias no Recife são relatadas desde o século XVII. Uma das providências tomadas pelo poder público para acabar com as cheias foi a construção de barragens em volta da cidade.  Em 1973, foi inaugurada a barragem de Tapacurá com a promessa de acabar com as enchentes na capital. No entanto dois anos após a inauguração da barragem que resolveria o problema das enchentes no Recife, um nova cheia foi considerada a maior calamidade do século.

Aconteceu entre os dias 17 e 18 de julho, quando 80% da população do Recife ficou debaixo d’água e 25 municípios da bacia do Rio Capibaribe foram atingidos. Os jornais da época davam conta de que 107 pessoas haviam morrido e outras milhares estavam desabrigadas. Ferrovias foram destruídas, pontes desabaram, casas foram arrastadas pelas águas. Por terra, o Recife ficou isolado do resto do País durante dois dias.

Quando as águas começaram a baixar, as pessoas, fisicamente e psicologicamente fragilizadas, começavam a retomar suas vidas. Foi nesse cenário que, por volta das 10 horas da manhã do dia 21 de julho, surgiu o boato de que a barragem de Tapacurá (que tem capacidade para acumular 94 milhões de metros cúbicos de água e nada sofrera com a enchente) havia estourado e que a cidade seria destruída pelas águas em poucas horas.

 

A dona de casa Manuela Araujo, então com 33 anos, comprava frutas e verduras no tradicional mercado do São José, no centro da capital. Com as sacolas nas mãos, não entendeu quando começou o corre-corre. Ouviu gritos de pânico e saiu desesperada. Lembrou que os quatro filhos estavam sozinhos em casa. "Só pensava neles. Cada pessoa corria para um lado. Foi um coisa que eu nunca vou esquecer na minha vida. Tentei pegar taxi, e todos negavam, estavam abandonando os carros, uns nem ouviam os apelos, até que consegui entrar em um", lembrou 40 anos depois. Na volta para casa não viu nada de diferente as ruas estavam enlameadas por causa das cheias dos dias anteriores.

 

Já André Sampaio fala como estava o Bairro do Recife diante da história. "Trabalhava em uma empresa perto da ponte giratória. Da janela da empresa, era possível ver as pessoas correndo, tentando fugir do dilúvio". "A rádio Olinda dera em primeira mão a notícia do tumulto causado pelo boato e com isso realimentou o processo ampliando suas dimensões", escreveu Homero Fonseca no livro sobre o Boato.  

 

O governador do Estado José Francisco de Moura Cavalcanti, após ser informado de que nada de errado havia com a barragem, se dirigiu ao Diretório Central dos Estudantes na rua do Hospício para convencer os estudantes que se tratava de um boato. Somente após  insistentes boletins divulgados pelas emissoras de rádio e televisão, alguns feitos pelo próprio governador desmentindo o ocorrido, a vida da cidade reordenou-se aos poucos.

 

O fato é que o boato (ate hoje com origem não esclarecida) foi alimentado pelo sofrimento de uma cidade, que a época já contava com um milhão de habitantes, e que convivia com o caos das constantes enchentes e cheias a cada chuva. Pelo menos 107 pessoas morreram e 60 mil ficaram desabrigados.Houve até quem sugerisse ter sido um ato terrorista, no o inquérito policial que investigou o caso nunca chegou a culpados.

 

O fantasma de julho de 1975 ronda o Recife a cada nova enchente.  

 

Para saber mais leia esse ótimo artigo no site da FUNDAJ 
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar./index.php?option=com_content&view=article&id=806&Itemid=1 


Este artigo foi adaptado a partir das matérias produzidas por:
http://www.boatos.org/lendas-urbanas/tapacura-estourou-boato-que-provocou-caos-no-recife-completa-40-anos.html

 

 

 

 

 

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