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O milagre da Sulanca em Santa Cruz do Capibaribe

December 29, 2016

 As margens do Rio Capibaribe, no agreste meridional de Pernambuco, o Português Antônio Burgos, junto a um punhado de escravos fugidos, plantou um Cruz. Nascia ai o povoado de Santa Cruz do Capibaribe em 1750. Situada no chamado polígono da seca a cidade de Santa Cruz se sobressaiu pela sua milagrosa indústria da Sulanca cujo desenvolvimento não depende do sol ou da chuva.

 

Conhecida como a terra da Sulanca a história da confecção em Santa Cruz remonta a década de 40, quando ainda era uma vila. Um grupo de comerciantes trouxe do Recife sacos de retalhos (subprodutos de fábricas de tecidos). Como é comum no nordeste, esses retalhos eram costurados uns aos outros para fazer lençóis e cobertores. Ate que alguém teve a ideia de fazer shorts e camisetas com as peças de tecidos maiores. A ideia se difundiu e em pouco tempo as calçadas e a feira da cidade estavam repletas de peças de vestuários simples, feitas ali mesmo, com pouca qualidade e preços baixos. Daí o nome Sulanca (a corruptela de de um tipo de tecido "Elanca") .

 

 

 

Como o produto era de fácil venda, os homens acabaram por se transformar em mascates, percorrendo as feiras do nordeste, vendendo os produtos feitos de retalhos por suas mulheres. Em casa as mulheres, usavam a criatividade para inovar produzindo saias, blusas, camisas, conjuntos infantis, e anáguas que eram comercializados na feira. Nascia assim a Feira da Sulanca, cujas características são a informalidade, a variedade de produtos a preços reduzidos, para todos os gostos e condições. Com o passar do tempo a antiga feira vai se transformar no segundo maior pólo têxtil do país, confeccionando produtos diversificados e de qualidade que se destacam em todo o país.

 

A sulanca passou de simples cobertas e roupas populares para confecções de qualidade,  que hoje nada ficam a dever a outros produtos convencionais do gênero no mercado. Entende-se por Sulanca hoje, todos os tecidos e confecções fabricados ou comercializados na região de Santa Cruz do Capibaribe, ou em cidades próximas que seguiram o modelo de Santa Cruz, como Toritama (a 16 km) e Caruaru (a 54 km) que juntas formam o circuito das confecções em Pernambuco.

 

 

Sorrateira, a sulanca chega a butiques das capitais, onde é vendida como confecção fina. Grandes atacadistas e marcas famosas colocam as suas etiquetas em roupas produzidas no agreste Pernambucano. Hoje Santa Cruz do Capibaribe, uma cidade do polígono da seca, é um centro criador, inovador e exportador de moda, produzindo e exportando para o mercado Brasileiro e para o exterior.

 

Segundo o SENAI, Santa Cruz do Capibaribe é a maior produtor de confecções de Pernambuco e a 2º maior do Brasil, atrás apenas da região do Braz na capital Paulista. O “Moda Center” localizado em Santa Cruz é o maior parque de confecções da América Latina. Já a “Rota do Mar” referência em Moda Praia, é, quem diria, uma empresa do agreste Pernambucano. Junto com as cidades de Toritama e Caruaru formam o triângulo da confecção de Pernambuco. O crucifixo em madeira feito por Antônio Burgos pode ser visto ainda na Matriz de Santa Cruz do Capibaribe.

 

Hoje dia 29 de dezembro a nossa Terra da Sulanca, a Capital da Moda Pernambucana comemora 63 anos de emancipação.

 

 

Feira da Sulanca

melodia

(de José Augusto Maia)

 

Acorda, Zé! São três horas da manhã.

 

 

Pega o saco, amarra a boca  

e cai no mundo pra vender. 

Vai no outro quarto

  e avisa pras meninas  

que o patrão lá da esquina 

tem serão pra elas fazer.  

 

Desce a cidade no rugido da carroça,

gente da rua e da roça,

todo mundo vai vencer.

 

Santa Cruz na tarde de hoje 29.12.16 Por Victor Botelho

Lá na cidade  até parece um formigueiro,

 

já tem tanto sulanqueiro,  

esperando o comprador.  

 

Um vende e compra,  

outro vende, outro se arranca.  

Todos têm a esperança  

que um dia chegam lá.  

 

O movimento se transforma em fatura,  

dando cores à costura,  

e pra longe vão levar.

Esta cidade já viveu de outra cultura,  

mas nunca teve fartura, 

o jeito mesmo foi mudar.  

 

 

 

É Santa Cruz, Pernambuco te exibe,

 

 orgulho do Capibaribe,  

um exemplo nacional.

Seu trabalho rende muito e dá fruto,  

se encontra em qualquer reduto,

e até na capital.

 

Já tomou rumo, se estendeu pelo Agreste,

tem tanto cabra da peste

entrando no buruçu.

De Toritama descambou,

saiu sorrindo;

se jun0tou com Vitalino

na feira de Caruaru

 

 

Santa Cruz na tarde de hoje 29.12.16 Por Victor Botelho

É vendedor! - grita na banca ,
e comprador chega se espanta

 

com as vantagens que oferece
o feirante da sulanca.

 

Calça, camisa, manga curta  

e manga longa, macaquito e camiseta,

meia, gorro e minhocão,

tem jardineira, almofada.
Tem bermuda, minissaia,
miniblusa, camisola

e macacão, maiô, biquíni,

 

Santa Cruz na tarde de hoje 29.12.16 Por Victor Botelho

tem suquine, tem sacola.
Tem também saia de bola,

 


short, tanga e cobertor.
Tem mosqueteiro,
conjuntim de batizado.  

E tem também a colcha de retalhos 

onde tudo começou!

 

 

 

 

 

Referências:

 http://www.santacruzdocapibaribe.pe.gov.br/internas.php?id=21

http://www.oocities.org/sulanca/sultxt.htm

http://www.oocities.org/sulanca/feitxt.htm

http://www.oocities.org/sulanca/fo1txt.htm#melodia

http://www.blogdoneylima.com.br/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Moda_Center_Santa_Cruz

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